Quinta da Moscadinha apresenta novas sidras e aguardente de maçã
A Quinta da Moscadinha acaba de lançar três novos produtos: a 'Ancestrale' é uma sidra criada a partir de 98 variedades de maçã; a 'Altitude', uma rara sidra de pera, produzida pelo método clássico; e a primeira Aguardente de Maçã da Quinta da Moscadinha.
À frente da Quinta da Moscadinha está Márcio Nóbrega, empreendedor madeirense ligado à restauração e ao turismo que, "em colaboração com agricultores locais e proprietários de terrenos em desuso, tem vindo a recuperar pomares antigos e abandonados na Camacha e um pouco por toda a ilha, alguns com mais de 50 anos, devolvendo vida a terrenos esquecidos".
Márcio Nóbrega explica que a 'Ancestrale' surgiu durante a apanha de maçãs da época de 2023: sempre que a equipa identificava uma maçã diferente das variedades habitualmente usadas nos lotes da Quinta da Moscadinha — como Maçã Reinetta da Madeira, Pero Domingos, Pero Doce, Pero Vime ou Pero Calhau — separava-a e tentava identificá-la. No final, todas foram reunidas num único lote, dando origem a uma produção muito limitada de 400 garrafas".
Já a 'Altitude' é uma sidra de pera, criada a partir de um pomar antigo, muito bem preservado, localizado a 1100 metros de altitude, identificado como o pomar mais alto da ilha. "Na Madeira, o cultivo de peras e a produção de sidra de pera não são comuns, em grande parte devido ao baixo rendimento da fruta, à dificuldade da sua fermentação, e porque a pera tem poucos nutrientes, baixa acidez e açúcares não fermentáveis, como o sorbitol, o que torna a sua utilização particularmente exigente", explica. No entanto, perante a descoberta deste pomar, onde se encontra uma variedade que se presume ser Conference, embora já com sinais de hibridação, a Quinta da Moscadinha decidiu arriscar. Este lote é composto por 600 garrafas.
A terceira novidade é a Aguardente de Maçã, que resulta da destilação de 2.500 litros de sidra, que deram origem a 216 litros de aguardente. Esta produção, que a Quinta da Moscadinha descreve como o primeiro “rum” de maçã da ilha — embora não possa assumir essa designação, por se tratar de uma denominação protegida associada ao rum agrícola — estagiou durante três anos em barricas usadas de carvalho francês. "O resultado são 504 garrafas numeradas de 500 ml de algo muito especial, uma produção limitada que traduz uma nova forma de interpretar a maçã madeirense", aponta.
Estas novidades que agora chegam ao mercado – já disponíveis em garrafeiras e restaurantes – vêm reforçar a nossa missão de valorizar esta herança dos pomares antigos, respeitar a fruta e explorar novas possibilidades a partir da sidra. Mais do que um produto, a maçã é aqui entendida como património vivo — uma ligação entre território, memória, agricultura e inovação Márcio Nóbrega
A Quinta da Moscadinha alia a produção artesanal de sidra a uma unidade de sidroturismo com 11 quartos e um restaurante típico madeirense, 'Adega do Pomar', com cozinha regional liderada pelo chef Fábio Vieira.